Ciúme – a parte seca do amor

18 09 2009

folha_seca 

 

 

O que move o ciúme? A carência?

 Seria o ciúme alimentado por uma carência de atenção? Ficamos com essa sensação de ‘medo de perder’ porque, por alguma razão, não estamos recebendo a atenção que costumamos receber – dessa ou daquela pessoa? Se isso faz sentido, então não é a carência que move o ciúme?

Esses dias estava conversando com uma menina aqui no trabalho que se diz ciumenta. Ela veio dizer que se sente enciumada quando percebe que não é o centro das atenções daquelas pessoas que considera mais. Aí, no meio do papo, um cara que senta próximo de nós se meteu na conversa dizendo que tem ciúmes da namorada dele quando ela começa a sair por aí fazendo programas que, aparentemente, são normais mais não o convida – tipo shopping, cinema, barzinho com as amigas.

Já eu sinto ciúmes quando o namorado faz coisas que não me conta. Qualquer coisa, seja ela importante ou não. Se ele esquece de me contar antes ou depois eu fico toda enciumada e triste. Talvez também seja um tipo de carência, sei lá. Se ele não me contou é porque não sente, necessariamente, vontade de partilhar as coisas comigo… ou algum outro pensamento inconsciente que siga essa linha.
O ciúme endurece o coração. Resseca. Faz os vasos racharem e permitem que o sangue transborde. A pele fica áspera. Espeta. O ciúme machuca, fere, entristece, angustia…

Para que serve isso afinal?





O 2º reencontro e a angústia

15 05 2009

aeroporto Eis que é hoje o dia do 2º reencontro. Mas, estou aqui em pânico.
 O namorado acabou de ligar dizendo que não conseguiu sair do trabalho na hora certa e talvez, não consiga passar em casa para pegar a mala e vir para cá. Na verdade, ele ligou para dizer que está vindo só com a roupa do corpo, mas que o problema maior é o engarrafamento que está por lá.

 Desde o meio da semana comecei com esses pensamentos negativos de que ele não conseguiria embarcar por alguma razão. Se ele ligar dizendo que não conseguiu chegar no aeroporto… nem sei. Confesso que nem sei o que dizer ou sentir.

Meu estômago está na boca. O único gosto que sinto é de acidez. Minha gastrite está fervendo.
Nervosismo e desânimo. Mãos frias e dor.
Sei lá. Faz o carro voar. Sai correndo. Dá um jeito?

Chega logo! É só o que consigo querer.





O encaixotar da vida

29 04 2009

caixas3 

 

E eis que ver mudanças traz ao coração nada mais do que dor e separação.
Tirar coisas de seus lugares e rearrumá-las em caixas, que depois serão lacradas com fitas adesivas, etiquetadas… são ações que exigem tempo, força, coragem, desapego.
Tirar sua vida daqui, guardá-la e depois levá-la para outro lugar.
É isso que estão fazendo comigo. Estão me tirando daqui, tirando minhas coisas do lugar e levando para longe. No entanto, eu permaneço onde estou… mas, sem nada. Sem nada mais.
Talvez, se eu também mudasse… se eu encaixotasse também…

ENCAIXOTAR – Conjuntivo/Subjuntivo
Pretérito imperfeito
se eu – encaixotasse também
se tu – encaixotasses comigo
se ele/ela – encaixotasse
minha parte
se nós – encaixotássemos juntos
se vós – encaixotásseis por mim
se eles/elas – encaixotassem
para sempre

… talvez assim seríamos, ainda que na imperfeição do pretérito, conjuntivamente felizes. Talvez.





Carência Físico-afetiva X Paranóia Obsessiva

12 02 2009

Sabe, às vezes, quando cismamos que estão fazendo algum tipo de complô contra nós? De repente, por alguma razão, do nada, entendemos que alguém não quer mais falar com a gente, não quer mais estar conosco, gostar de nós ou coisa assim. Ao menos, não como antes. Fizemos alguma coisa para isso? Causamos algum desencanto?

crazy_faces1O mais intrigante disso é que, quando cismamos assim as coisas parecem corroborar nossa louca sensação de carência físico-afetiva. Uma conversa, que antes seria normal, vira um papo estranho. Um comportamento, que antes seria coerente, vira uma atitude suspeita… e por aí vai. Quando vamos dar conta estamos numa paranóia obsessiva infundada e que corrói o coração violentamente.

Se cobramos satisfação de quem estamos cismados a resposta nunca será satisfatória. Sempre levantará ainda mais dúvida e desconfiança. Seria insegurança? Ciúmes? Medo?

Mudanças extremas de humor e sentimentos.
Carência Físico-afetiva ou pura paranóia?





Ciúme Obsessivo – a arte de imaginar coisas que não existem

14 10 2008

Há quem diga que ciúme é bom para a relação. Seja ela da natureza que for. Tenho para mim que não sou uma pessoa ciumenta, mas tenho amigas que me dizem o contrário.

Acredito que se identificássemos o instante do primeiro sentimento de ciúme e o controlássemos ali, enquanto ainda é pequenininho, a vida seria bem mais fácil. Sendo assim, pergunto: É possível perceber aquele momento inicial do ciúme? Aquele segundo onde tudo começa a acontecer? Onde as coisas saem do controle e, da normalidade, você pula diretamente para o estado pleno de insanidade e obsessão*?

(*) impertinência excessiva; preocupação constante; perseguição insistente; ideia fixa

Quando essa sensação/pensamento de obsessão toma conta da gente tudo parece conspirar contra a paz interior. Se você liga e a pessoa não atende, certamente é porque ela não quer falar com você e não porque está no banheiro, em uma reunião ou tomando banho. Se a ligação foi corrida é porque ela já não lhe ama mais como antes e não porque ela está com pressa, cansada ou ocupada. Se ela não liga, então, é a morte.

No final, esses pensamentos/sentimentos se tornam tão freqüentes que nossa mente passa a reconhecê-los como verdade. E essa verdade destrói nosso coração quando, na verdade mesmo (aquela verdadeira), não está acontecendo nada. Nós é que estamos sozinhos vivendo no pesadelo do todo mundo é mais interessante, todo mundo é mais bonito, todo mundo é mais alguma coisa que eu não sou. E, por isso, somos passíveis de sermos abandonados a qualquer momento.

Pensando melhor, é possível evitar o ciúme?