Era o dia da chegada. Há meses não nos víamos. Passei toda a manhã e tarde contando as horas para a chegada do vôo do namorado. Finalmente era noite e já estava no aeroporto. Lembro que olhei para os lados procurando as placas que me levariam ao desembarque. O televisor informava que o vôo dele já estava autorizado para pouso. Olhei no relógio, 10 minutos. Era o que faltava. Depois de tanto tempo longe, faltavam apenas 10 minutos. E aí eu poderia abraçá-lo novamente.
Quando cheguei no desembarque fiquei olhando fixamente as portas, na expectativa de que abrissem. Pensei em tudo o que se passou. Agora que ele estava pisando o mesmo chão que eu parecia que não tinha sido tanto tempo assim. A saudade se abrandou. Ele estava perto.
Abriram-se as portas. Pessoas começaram a sair. Arrumei os cabelos. Dei um olhada rápida para ver se o meu vestido estava bom. Aquele vestido eu comprei para o reencontro. Ele adora vestidos. Olhei para dentro do desembarque. Procurei por ele. Pessoas passavam na minha frente. Estava na ponta dos pés quando o vi passar. Ele. Era ele. Ali, ao meu alcance.
Meu coração acelerou de uma forma que não conseguia mais ficar ali. O impulso foi correr até ele. Não consegui. Meu rosto queimava. Meu pensamento era de que precisava revê-lo. Rever o seu rosto, os moldes que a distância já me tinham feito esquecer. Os pêlos da barba, o desenho definido dos lábios. O nariz. Era lógico que ainda lembrava dele. Mas, havia me esquecido da precisão dos detalhes. Esses são os primeiros a serem esquecidos. Ele me viu.
Desse momento em diante não desviamos mais o olhar um do outro. Meu coração parecia que ia explodir. Sorrimos e ele começou a vir na minha direção puxando as malas e desviando de outras pessoas, que também se reencontravam e se abraçavam pelo caminho. Tentei fazer o mesmo, ir na direção dele, mas percebi que meus pés estavam colados no chão. Ele se aproximava e eu não consegui avisar que não conseguia me mexer.
Então, parou bem na minha frente a ponto de sentir sua respiração. Continuamos nos olhando. Havia muita ternura em seu rosto. Ele tocou minha cintura e deixou as mãos escorregarem para as costas. Toquei o rosto dele. Agora estava ali, revendo seus detalhes. Ele estava tão bonito. Meu coração era maior que eu e suas batidas já não cabiam mais no meu peito. Corri minhas mãos pelos olhos, nariz, orelhas… Nos aproximamos lentamente, ainda mais. Como quando se dá um primeiro beijo? Foi assim. Nos beijamos como se fosse a primeira vez, com cuidado e carinho.
Era o primeiro reencontro. Precisava ser inesquecível.
Foi a experiência mais intensa da minha vida.