Em dias especiais, desses que o céu está lindo, o sol pleno (mas não tão quente), a brisa é leve e suave, o trânsito está ótimo… em dias especiais assim tudo fica mais passível de romance.
Sorrimos mais, compreendemos mais, nos aborrecemos menos.
Em dias ordinários (no sentido amplo do termo), que você chega no trabalho e o seu computador pifa, seu login é desconfigurado, o seu celular está fora da área de cobertura e você só consegue tirar 20 minutos de almoço… em dias estranhos assim é impossível não desromantizar a vida.
Nos aborrecemos mais, sorrimos menos, toleramos menos.
Ontem foi um dia desses. De, sem querer, chutar a calçada, deslocar o dedo e parar no pronto-socorro, sair engessada, debaixo de um temporal, carregando 4 sacolas lotadas de compras – e o guarda-chuva.
Com a cabeça fervilhando de coisas que deram errado, mais o agravante significativo de que estou na TPM, desromantizei um fato da minha vida que hoje é tão importante que talvez nem consiga expressar.
Peguei sentimentos de amor, que foram oferecidos a mim. Sentimentos de carinho, zelo, atenção, respeito, honra… e desromantizei. Juntei todos esses complementos do amor e transformei-os em coisas que eles não são: meras palavras. Critiquei, julguei e desmereci. Transformei o amor em palavras. Desromantizei o amor.
Como desfazer isso?
Depois de ser frio e cruel, como se retorna ao romance?
No começo do ano fiz um trato. Na hora parecia que eu estava levando a melhor, que a parte mais fácil estava nos meus ombros. Agora tenho visto que pode não ser bem assim. A parte que cabe a mim, eventualmente, acaba exigindo mais do que tenho para oferecer. Então, o que acontece é a sensação de que a minha parte neste acordo está mais pesada do que a outra.
Engraçado porque sempre tento ser